Há bordados que contam histórias. Outros, porém, guardam silêncios.

Esta obra nasce do encontro entre a delicadeza da linha e a força invisível da fé. Não busca a simetria perfeita nem a precisão das formas. Seu propósito é outro: acolher o olhar de quem acredita que a arte também pode ser abrigo.

No centro, Oxum veste o amarelo do sol que amadurece os frutos e da luz que aquece sem pedir nada em troca. 

Os lírios brancos repousam como promessas de paz. A lua observa em silêncio, enquanto manchas suaves de aquarela lembram que a vida nunca segue contornos definidos. Ela escorre, mistura cores, muda de direção e, ainda assim, cria beleza.

Cada fio parece carregar um pensamento antigo, daqueles que passam de geração em geração sem precisar de palavras. Há ternura nas curvas, movimento nas camadas e uma sensação de acolhimento que convida o observador a desacelerar.

Este bordado não pretende impressionar pela técnica, mas tocar pela emoção. Ele celebra o gesto humano de criar com as mãos aquilo que primeiro nasceu no coração.

Talvez seja isso que a arte faça de mais precioso: transformar linha em afeto, tecido em memória e simplicidade em permanência.

Porque, no fim, o que permanece não é a perfeição dos pontos, mas a verdade do sentimento costurado em cada um deles.